É gratificante ter uma boa conversa com o empresáriorural Alberto de Castro Cunha. Aos 97 anos de idade, ele esbanja saúde, ótima memória e uma história de fazer inveja. Mineiro de Uberaba, formado em ciências e letras no tradicional Ginásio São Bento, em São Paulo, tem no currículo uma vida de pioneirismo. Abriu 14 fazendas no Paraná, Mato Grosso e Paraguai. Em Londrina ele chegou em 1943, aos 25 anos, comprou uma área no município de Primeiro de Maio, derrubou o mato, foi safrista de porco durante três anos, formou 270 mil pés de café que cultivou até a geada de 1975, quando passou a plantar algodão. Depois dos 753 alqueires, 650 foram inundados pelo lago da Usina de Capivara. Paralelamente à atividade de cafeicultor, comprou, formou e vendeu outras tantas fazendas na região. Em 1979, comprou terras no Paraguai, em Salto Del Guairá, e do lado brasileiro, em Guaíra. Também investiu em pecuária no município de Porto Murtinho, onde deixou a sua marca de pioneirismo. Recentemente dividiu as propriedades com os três filhos e no Paraguai formou uma empresa de sociedade anônima que passou a ser administrada por eles. Mas segue com a sua rotina de trabalho. Cuida das suas próprias contas, mantém seu escritório na Avenida Paraná (calçadão), em Londrina. Uma semana ele fica na cidade e a outra no Paraguai. Dirige seu próprio carro, só se utiliza de motorista em viagens.
Plantou soja nas suas terras de Salto Del Guairá e de Guaíra. É cliente da Agro100 desde que a empresa instalou sua filial em Eldorado. O segredo da sua longevidade com saúde, Alberto de Castro Cunha diz que se deve ao trabalho e ao bom sono. “Durmo às oito da noite e acordo às seis da manhã e volto a dormir pelo menos uma hora após o almoço. Como bem, muita fruta. Tomo um bom café pela manhã, almoço e faço um lanche às quatro da tarde, mas não janto”, conta ele. Do pioneirismo, só reclama da falta de dinheiro no início das atividades no Paraná. “Gastei uns 10 anos da minha vida correndo atrás de dinheiro. A região de Londrina era dominada pelos bancos paulistas e ficava difícil para conseguir empréstimos para tocar a fazenda. Pois os negócios da minha família eram todos em Minas Gerais”, conta em tom de brincadeira. Em 1949, “seo” Alberto foi para Uberaba e enamorou-se de dona Marilda. Em seis meses de namoro celebraram o casamento. Hoje ela está com 86 anos e uma vida juntos.