Aos 80 anos e em plena atividade, Aristides de Caires é um exemplo de empreendedor. De pouco estudo, mas cheio de sabedoria. Aproveitou da melhor forma possível todas as oportunidades que a vida lhe ofereceu. Nascido na Vila Albuquerque, capital paulista, de família de poucos recursos, agarrou muito cedo na lida. Casou-se aos 20 anos de idade e teve nove filhos. Plantou algodão e hoje cultiva 700 alqueires de soja com a família. Mas é ele que sempre, e ainda hoje, decide tudo nos negócios. Homem popular e carismático, foi prefeito de Miraselva, o principal responsável pela emancipação de Prado Ferreira, onde foi prefeito por duas vezes.

A história de Aristides de Caires com o Paraná começa em 1948, quando aos 13 anos veio para Peabiru com a família para trabalhar na lavoura de café. Quatro anos mais tarde voltou para a região de Rancharia, interior de São Paulo, mas durante anos seguidos retornou ao Norte do Paraná para trabalhar na colheita de café. “Ganhava um bom dinheiro na colheita do café. Em poucos dias de trabalho dava para comprar um alqueire de terra nas baixadas, onde não era bom para o plantio de café”, conta “seo” Aristides. Com 200 contos economizados queria
comprar o seu próprio sítio. Mas o dinheiro era pouco. Alugou pasto e comprou 100 bezerros “meio fiado”. Logo depois conseguiu vender a boiada pelo dobro do preço, mas algum tempo depois comprou a mesma boiada pelo preço que tinha vendido. “Não vi futuro no negócio e larguei de negociar com boi”, conta rindo. Logo em seguida conseguiu comprar um sítio de cinco alqueires em Gardênia-SP. Pagou a metade e metade foi no prazo. Mas as terras boas no Norte do Paraná não saíam do pensamento. Vendeu o sítio em Gardênia e veio comprar terra
aqui. Em 1968, comprou o Sítio São João, no Ribeirão Grande, divisa entre Cambé e o atual município de Prado Ferreira. Pagou uma parte e o restante ficou em duas parcelas anuais.
aristides2Começou com plantio de algodão. Em pouco tempo já estava plantando 50 alqueires no seu sítio e em terras arrendadas. Conta que chegou a manter 15 famílias nas suas lavouras. E logo pôde comprar mais terras, sempre as que já arrendava. Mas eram tempos difíceis, segundo ele, poucos financiamentos e muitas vezes tinha que recorrer aos maquinistas para conseguir recursos para pagar a colheita. Mas percebeu que o algodão estava com os dias contados no Paraná e, em 1974, fez o primeiro plantio de trigo no inverno e na sequência vieram a soja, a tecnologia, as máquinas e a verdadeira prosperidade. Se valeu a pena? “Claro que valeu! Cheguei aqui com seis filhos, as panelas, uma carroça, um burro, um cavalo e 30 mil réis no bolso”, responde Aristides de Caires. Esse é um resumo da história desse homem que, com o seu jeito simples, emancipou e praticamente construiu Prado Ferreira. Sua vida e ensinamentos enchem um livro. Cliente da Agro100, “seo” Aristides é atendido pelo consultor técnico de vendas da filial de Cambé, Fernando Peretti Basco.